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Dieta adequada fortalece o corpo no tratamento do câncer de mama

6 de fevereiro de 2026

Especialistas do HAC, referência em oncologia, indicam equilíbrio
e qualidade nutricional durante tratamento do câncer de mama

Receber o diagnóstico de câncer de mama costuma provocar uma série de mudanças na rotina das pacientes. A alimentação é uma das primeiras preocupações. O que comer? O que evitar? Como manter o corpo forte diante dos efeitos do tratamento? Para especialistas do Hospital Amaral Carvalho (HAC), referência nacional em oncologia, a resposta passa menos por dietas restritivas e mais por equilíbrio, qualidade nutricional e acompanhamento profissional.

De acordo com o médico mastologista João Ricardo Auler Paloschi, do HAC, o tratamento é um momento estratégico para investir em uma alimentação rica em proteínas, que favorece a cicatrização e a recuperação cirúrgica. Além disso, priorizar alimentos naturais – como frutas, verduras e legumes – e reduzir o consumo de sal, açúcar e carboidratos refinados ajuda a manter o organismo mais preparado para enfrentar o tratamento.

Outro fator de destaque é o controle do peso, já que o ganho excessivo pode impactar negativamente as chances de cura. Manter um peso saudável, associado à alimentação equilibrada e à prática de atividade física pode ter um impacto comparável ao de um tratamento medicamentoso.

“Se tratarmos dois cânceres semelhantes entre si em tamanho e tipo, mas estiverem em dois pacientes diferentes, sendo um com peso ideal, não sedentário, sem comorbidades e bem nutrido, e outro com um cenário inverso, esperamos ver uma melhor resposta e maior probabilidade de cura no paciente em melhores condições”, explica o especialista, evidenciando que o organismo do paciente — e não apenas o tumor — é determinante no sucesso da terapia.

O mastologista João Ricardo Auler Paloschi, do HAC,
ressalta a importância de uma dieta hiperproteica

Sintomas, tolerância e escolhas alimentares

Entre os diferentes tipos de tratamento, a quimioterapia é a que mais interfere na alimentação. Náuseas, vômitos, mal-estar e perda de apetite estão entre os efeitos colaterais mais frequentes, mesmo com o uso de medicamentos para reduzir esses sintomas.

Para a nutricionista Bianca Maria Pigoli Gabriel, encarregada do setor de Nutrição Clínica do HAC, a alimentação deve ser adequada e variada de acordo com as necessidades da paciente. O ideal é uma dieta com aporte de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) e também de micronutrientes (vitaminas e minerais), visando otimizar o estado nutricional e, consequentemente, a tolerância ao tratamento.

Alguns alimentos podem ajudar a aliviar sintomas comuns. Em casos de náusea, opções cítricas e geladas — como frutas, sucos e picolés — costumam ser mais bem aceitas, assim como o fracionamento das refeições ao longo do dia. Para constipação intestinal, alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes e grãos integrais, associados à ingestão adequada de líquidos, são aliados importantes. Já em casos de diarreia, a recomendação é optar por alimentos de fácil digestão, como arroz branco, batata, banana e goiaba, além de reforçar a hidratação.

Quando há pouco apetite, a orientação é priorizar os alimentos que a paciente tolera melhor e, se necessário, recorrer a suplementos nutricionais, sempre com acompanhamento profissional. Em situações de dificuldade para engolir, pode ser preciso adaptar a consistência da dieta, dando preferência a preparos mais macios e pastosos.

Bianca Maria Pigoli Gabriel, encarregada da Nutrição Clínica do HAC, sugere alimentos
mais bem aceitos por pacientes que sofrem efeitos colaterais da quimioterapia

O que evitar e a importância do acompanhamento

Embora não existam alimentos totalmente proibidos, alguns cuidados são essenciais durante o tratamento oncológico. O consumo de alimentos crus, por exemplo, deve ser evitado. “O motivo é que a paciente pode estar com a imunidade prejudicada e esses alimentos crus podem estar contaminados com algum patógeno, causando algum processo infeccioso de gravidade indeterminada”, explica o médico.

Bebidas alcoólicas, ultraprocessados, embutidos, excesso de açúcar, gorduras e frituras também devem ser evitados. “Estes alimentos podem aumentar a inflamação, prejudicar a tolerância ao tratamento, causar desconfortos gastrointestinais e aumentar o risco de complicações nutricionais”, completa a nutricionista.

Da mesma forma, dietas restritivas, jejuns prolongados e padrões alimentares radicais não são recomendados, já que essas práticas podem comprometer o estado nutricional e prejudicar a capacidade do organismo de suportar o tratamento.

O acompanhamento com nutricionista permite ajustes contínuos, conforme os sintomas e as fases do tratamento. “Esse profissional é de extrema importância nesse cuidado multidisciplinar”, indica o mastologista. Além disso, familiares e cuidadores têm papel importante ao auxiliar no preparo das refeições, respeitar os limites da paciente e incentivar o seguimento das orientações nutricionais.

A alimentação deve ser encarada como parte fundamental do cuidado integral da paciente. “Uma alimentação adequada e equilibrada ao longo do tempo produz um organismo mais saudável, mais responsivo ao tratamento, com maior imunidade e, por consequência, mais preparado para enfrentar todo o tratamento”, conclui Paloschi.

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