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Programa de Prevenção do Câncer Ginecológico do Hospital Amaral Carvalho completa 30 anos

Iniciativa pioneira reduziu diagnósticos em estágios avançados, ampliou o acesso aos exames preventivos e ajudou a salvar vidas

11 de agosto de 2026

Fachada do Instituto de Prevenção do Câncer Ginecológico. - Foto: Hospital Amaral Carvalho.

Há três décadas, um projeto iniciado no Hospital Amaral Carvalho plantava a semente de uma transformação que mudaria a história da prevenção do câncer do colo do útero em Jaú e em dezenas de municípios da região, além disso, ainda se tornaria o modelo de prevenção para o cuidado da saúde de milhares de mulheres de todo o país. O Programa de Prevenção do Câncer Ginecológico do Hospital Amaral Carvalho, que está completando 30 anos,  começou em 1994, como um projeto piloto para ampliar o acesso ao exame preventivo.

Mas foi em 1996, com a boa aceitação da população e os primeiros resultados positivos, que foi criado o posto itinerante em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Jaú. O projeto viria a se tornar um dos principais programas de rastreamento da doença no interior paulista, levando informação, atendimento e diagnóstico precoce para milhares de mulheres. Em 2026, conta com mais de 80 mil mulheres cadastradas.

O foco é atuar na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer do colo do útero. As pacientes chegam, em geral, sem sintomas ou histórico familiar da doença e passam por exames de rastreamento, que permitem identificar lesões antes que evoluam para o câncer. Quando alguma alteração é encontrada, a paciente é encaminhada para investigação e acompanhamento adequado.

Ao longo desses 30 anos, os resultados foram além do aumento no número de exames realizados. Os indicadores mostram uma mudança importante no perfil dos casos diagnosticados, com redução expressiva dos tumores identificados em estágios avançados e diminuição da mortalidade por câncer do colo do útero em Jaú.

Dra. Lenira Mauad apresenta evento do Programa de Prevenção. - Foto: Hospital Amaral Carvalho.

Para a médica responsável pelo programa, Lenira Mauad, a continuidade da iniciativa é um dos principais fatores para a obtenção desses resultados. “Trinta anos de programa contínuo representam a dedicação e o compromisso da Instituição em cuidar das mulheres de Jaú e região. Para além de campanhas, o que é o habitual, manter um programa organizado e contínuo representa um trabalho completo que realmente dá resultado em longo prazo”.

Diagnóstico precoce faz a diferença

Quando o programa começou, em 1993, a realidade era preocupante. Cerca de 86% das pacientes atendidas pelo Hospital Amaral Carvalho chegavam com o câncer do colo do útero em estágios clínicos avançados, quando as chances de cura eram menores. Ao longo dos anos, esse cenário mudou significativamente, caindo para aproximadamente 20%, reflexo do impacto do rastreamento e do diagnóstico precoce.

Para a médica Lenira Mauad, a importância desse trabalho está justamente em identificar as alterações antes que elas evoluam para uma doença mais grave. “Chegar antes da dor, não esperar apenas pelas mulheres com tumor em busca de tratamento, mas efetivamente cuidar delas para que não adoeçam. É preservar fertilidade, preservar a vida e a sexualidade de mulheres jovens, preservar famílias estruturadas e manter a possibilidade de cuidar e criar dos filhos”, explica.

A mortalidade também apresentou uma queda importante. Antes da implantação do programa, Jaú registrava coeficiente de 10,22 óbitos por 100 mil mulheres. Em 2014, esse índice caiu para 2,92 e, em alguns anos, como 2004, 2015 e 2021, não houve registro de mortes pela doença no município, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.

Prevenção que muda histórias

Os resultados aparecem nas estatísticas, mas também nas histórias de quem passou pelo programa.

Priscila Santana da Silva com os filhos Heitor (esquerda) e Uriele (colo). - Foto: Arquivo Pessoal.

A professora Priscila Santana da Silva conta que demorou para realizar o exame preventivo por vergonha. Quando finalmente procurou atendimento, a equipe identificou alterações logo na primeira consulta. Ela passou por biópsia e tratamento, mas lembra que encontrou acolhimento durante todo o processo. “Hoje dou muita importância, porque esse exame de prevenção salvou minha vida. Tudo o que passei virou testemunho para conscientizar outras mulheres. O câncer do colo do útero é silencioso. Se eu não tivesse procurado ajuda, talvez hoje não estivesse aqui para contar minha história”. Após o tratamento, Priscila realizou o sonho de ser mãe de dois filhos e hoje incentiva familiares e amigas a realizarem o exame preventivo.

Ana Laura Júlio Rodrigues também passou pelo projeto. - Foto: Arquivo Pessoal.

A auxiliar de e-commerce Ana Laura Júlio Rodrigues também transformou sua experiência em incentivo para outras mulheres. Depois de passar por um procedimento preventivo, ela faz um alerta para que ninguém espere o aparecimento dos sintomas. “Cuidar da minha saúde foi um ato de amor pela minha vida e por todos que amo. O câncer do colo do útero pode ser prevenido e, quando as alterações são descobertas precocemente, as chances de tratamento são muito maiores. Não tenha vergonha. Não tenha medo. Tenha coragem de se cuidar”, aconselha.

O trabalho de conscientização também busca alcançar as futuras gerações. Segundo Lenira Mauad, uma das estratégias é a campanha “O Futuro sem Câncer”, realizada a cada três anos. “Durante a campanha, trabalhamos com estudantes desde a pré-escola até o final do ensino médio, educando as mulheres do futuro, envolvendo os professores e as mulheres da família”.

Ainda hoje, medo e vergonha podem afastar mulheres do exame preventivo. Para enfrentar essas barreiras, a médica destaca o acolhimento como parte fundamental do trabalho. “Acolhimento, transmitir confiança, tratar alterações encontradas com rapidez e eficiência e convocar as faltosas”.

Três décadas depois do início do projeto, o Programa de Prevenção ao Câncer Ginecológico do Hospital Amaral Carvalho segue cumprindo sua missão: aproximar a prevenção da população, promover o diagnóstico precoce e mostrar que, quando o cuidado chega no momento certo, ele pode mudar histórias e salvar vidas.

A mensagem para as mulheres que ainda adiam o exame, segundo a médica, é direta: “Confie em nós, estamos esperando por você para cuidar não só da sua saúde, mas para também garantir que possa ter filhos, criá-los e cuidar da sua família”.

Anexos
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