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22/2/2015 - Cidadãos em rede

A inclusão das novas tecnologias na rotina dos cidadãos é uma tendência irrefreável. O que é difícil medir, a esta altura, são os efeitos da convergência digital e da universalização do acesso. O êxito de campanhas que estimulam a solidariedade lançadas nas redes sociais é a prova do potencial mobilizador desses meios de comunicação. O desafio Seflie do Bem, lançado pelo Hospital Amaral Carvalho (HAC), é um exemplo de iniciativa que vai ao encontro desta
particularidade contemporânea.
O conceito é simples: o interessado comparece ao hemonúcleo mais próximo e enquanto doa sangue faz uma selfie (foto de si) e publica na rede social – conclamando três amigos a fazer o mesmo. A intenção é criar uma cadeia de doadores de sangue, motivados pelos potenciais catalisadores da internet e autocêntricos da imagem.
Tudo leva a crer que a campanha terá sido a mais inovadora e bem-sucedida maneira de cativar novos fornecedores. Atualmente, o Hemonúcleo Regional de Jaú recebe em torno de 1,2 mil doações todos os meses. Embora quantitativamente pareça significativo, é insuficiente para períodos de alta demanda. É por isso que a repartição cria horários alternativos ou se desloca, por meio do hemonúcleo móvel, para angariar adeptos. Ao incorporar o ciberativismo, a instituição parece ter acertado um filão de engajamento.
Basta lembrar que o compartilhamento em progressão geométrica provocou eventos históricos no Brasil e no mundo. Atribui-se às redes sociais, por exemplo, as massivas manifestações de rua de 2013. Foi por este canal, também no esquema “desafio”, que milhares de internautas ouviram falar pela primeira vez da esclerose lateral amiotrófica (ELA) – no viral “balde de gelo”.
Ambos os fenômenos, lamentavelmente, têm algo em comum: o esvaziamento conceitual, que demonstra neste momento a incapacidade do mundo virtual em perpetuar as principais demandas do mundo real.
Os protestos de dois anos atrás se apagaram tão rapidamente quanto surgiram. Motivados de início pela precariedade e alto preço do transporte público coletivo, refletiram uma série de insatisfações populares adicionadas de descontentamento. Hoje, é difícil para qualquer teórico precisar o que houve no País naquela época.
No caso do “balde de gelo”, o método ganhou mais importância que a causa. O sacrifício de tomar um banho gelado roubou a luz da doença que o motivava.
O termo “meme” é bem anterior à internet. Foi cunhado pelo biólogo britânico Richard Dawkins, e significaria uma unidade de informação, reproduzida entre as mentes humanas das mais diversas maneiras. O conceito foi elaborado há 39 anos e décadas depois foi apropriado, mesmo que de forma reduzida, para designar as boas e más ideias que se propagam sem explicação pela internet.
O desserviço de um viral mal conferido é desastroso: pessoas têm suas vidas expostas, acontecimentos são “noticiados” sem o menor crivo ético e opiniões preconceituosas são disseminadas à exaustão. A instantaneidade desta proposta, entretanto, ainda cativa – o que tem mudado radicalmente a produção de conteúdo.
A eficácia de boas iniciativas, como a do Hemonúcleo Regional, também emerge deste novo cenário. Neste sentido, a Selfie do Bem se mostra uma campanha de vanguarda e atenta à neomobilização. O desafio – mais do que convidar um amigo para se tornar um doador – será manter ativa a proposta da convocação.
Quem está do lado de lá dos computadores e dispositivos móveis continuará precisando, e por um bom tempo, de informação de qualidade, de serviço público real e, essencialmente, de sangue.

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Fonte: Jornal Comércio do Jahu

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