27/1/2015 - Após três anos, doador se encontra com menina

Paulo André doou a medula que foi compatível para o transplante de Kyuane Mara Rocha

Pouco mais de três anos após o transplante de medula óssea de sucesso realizado no Hospital Amaral Carvalho (HAC), em Jaú (47 quilômetros de Bauru), Kyuane Mara Rocha Vasconcelos, de 7 anos, que mora em Marco, no Ceará, retornou ao interior paulista, dessa vez, não só para consulta de rotina, mas para conhecer pessoalmente o doador da medula compatível com a sua, o funcionário público Paulo André Marques de Mattos, de Santo Augusto (RS).

O encontro ocorreu no último dia 21, na Casa Ronald McDonald Jaú, onde a garotinha e seu pai, Raimundo Vasconcelos, de 26 anos, estavam hospedados. O momento estreitou os laços afetivos entre o doador, a paciente e os familiares. “Quando vi o pai e sua filha felizes, ela saudável, brincando e correndo, me senti honrado. Não há preço que pague um bem que podemos fazer ao próximo”, comenta Paulo.

Quando Kyuane tinha 1 ano e seis meses, apresentou febres constantes e manchas roxas pelo corpo. Raimundo, conta que a menina foi encaminhada para um hospital em cidade próxima a Marco, para diagnóstico. “Identificaram uma leucemia e minha filha foi transferida para Fortaleza para iniciar o tratamento. E então, era necessária a realização de um transplante de medula óssea, que foi quando viemos para o Hospital do Câncer de Jaú”.

Foram feitos testes para verificar se havia doador compatível na família. Sem êxito, a pequena aguardava por um doador.

Em 2006, Paulo se cadastrou como doador de medula em uma campanha realizada em Chiapetta, interior do Rio Grande do Sul. “Fui até Porto Alegre para coleta de uma amostra de sangue e preenchimento de um formulário com meus dados pessoais”, relata.

Anos mais tarde, em 2011, os caminhos do rapaz e de Kyuane se cruzaram: ele foi chamado pelo hemocentro onde havia se cadastrado, pois sua medula óssea era 100% compatível com a de uma pessoa que aguardava pelo transplante.

Em novembro daquele ano, mesmo sem saber para quem se destinava, Paulo efetuou a doação, no Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Ele lembra que no momento, inseguro, quase hesitou. “Conversei muito com minha esposa, Lurdes, pesquisamos e vi que não tinha motivos para me preocupar. Um procedimento simples e de tamanha importância para outra pessoa: concluí que não poderia desistir”.

De acordo com Paulo, o Instituto Nacional do Câncer (Inca), para preservar o paciente e o próprio doador, determina que ambos (e seus familiares) não podem ter contato antes de completar dois anos do processo de doação e transplante. Passado esse período, por intermédio do Registro Nacional dos Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), os dados das famílias podem ser divulgados, e então, após três anos, doador e paciente podem se encontrar.

Raimundo conta que quando souberam que havia um doador compatível com a menina, foi uma alegria imensa. “Desde o transplante, a vontade de toda a família era conhecer essa pessoa que tinha ajudado a salvar a vida da nossa Kyuane. Conhecê-lo é uma emoção inexplicável. Não tenho palavras para agradecer. Graças ao gesto que ele teve, hoje minha filha não toma medicamentos, vai a escola normalmente e está muito bem”, diz emocionado.

Paulo também está feliz da vida. “Esse momento foi um dos mais especiais. Por isso, digo aos meus amigos que pensam em um dia doar: não pensem, apenas doem. É um gesto de carinho, de amor”, completa.

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Fonte: Jornal da Cidade de Bauru

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