30/05/2019 - Data alerta sobre doenças relacionadas ao tabagismo

   Você provavelmente deve ter ouvido falar que o tabaco e seus derivados são nocivos à saúde, mas para reforçar a importância de extinguir o hábito de fumar, em 31 de maio é celebrado o Dia Mundial sem Tabaco. Idealizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a data alerta às enfermidades relacionadas ao tabagismo, ativo ou passivo, como o câncer e doenças respiratórias crônicas.
   De acordo com o oncologista clínico Fábio Gomes Pereira, do Hospital Amaral Carvalho (HAC) – referência em tratamento de câncer, estima-se que, com o consumo do cigarro, são absorvidas mais de 4.700 substâncias tóxicas ao organismo. Isso, sem considerar as outras formas de consumo, como charutos, cachimbos e narguilés. “Basicamente, a fumaça do cigarro é inalada para os pulmões e se espalha pelo sistema circulatório em questão de segundos, fazendo com que as toxinas cheguem rapidamente ao cérebro”, explica.
   E é exatamente onde a nicotina atua: a droga causa a dependência e produz alterações no sistema nervoso central, modificando o estado emocional e comportamental do fumante, promovendo a sensação de prazer e, assim, induzindo ao abuso do tabaco. “Com a inalação contínua da nicotina, o cérebro se adapta e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o nível de satisfação que tinha no início. Esse efeito é chamado de tolerância à droga. Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais cigarros e, com a dependência, cresce o risco de contrair doenças crônicas não transmissíveis, que podem levar à invalidez e à morte”, salienta o médico.
   O oncologista também chama a atenção aos riscos para fumantes passivos, que têm maiores chances de desenvolver doenças, já que a fumaça do cigarro contém, em média, três vezes mais nicotina e monóxido de carbono, além de 50 vezes mais substâncias cancerígenas, do que a que o próprio fumante inala.

Doenças relacionadas
   A OMS classifica a dependência à nicotina como uma doença crônica e, relacionada à ela, existem aproximadamente 50 enfermidades, como diferentes tipos de câncer (entre eles, de pulmão, estômago e leucemia), doenças do aparelho respiratório (como asma, enfisema pulmonar e bronquite crônica) e doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, tromboses e infarto agudo do miocárdio, entre outras). “Há ainda outros problemas interligados, como catarata, menopausa e infertilidade na mulher ou impotência sexual nos homens”, conta Fábio.
   Para o médico, é importante que população se conscientize sobre os males que o tabaco pode causar. “Os fumantes adoecem com frequência duas vezes maior que os não fumantes; têm menor resistência física; menos fôlego e pior desempenho nos esportes e na vida sexual. Além disso, envelhecem mais rapidamente e ficam com os dentes amarelados, cabelos opacos, pele enrugada e impregnada pelo odor do fumo”, lista.

Como abandonar o vício?
   Fabio afirma que já é esperado que a pessoa faça mais de uma tentativa antes de parar de fumar definitivamente. “Estudos mostram que, em média, um ex-fumante tenta parar de três a quatro vezes até conseguir, mas a cada tentativa, a dificuldade diminui”, destaca.
   Para incentivar mais pessoas ao abandono do vício, desde 2002, o Ministério da Saúde em parceria com secretarias municipais e estaduais de Saúde, vem organizando uma rede de unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) para oferece tratamento do tabagismo, com avaliação, consultas individuais e sessões em grupo a fumantes. “Além de orientações e apoio, esses grupos fornecem medicamentos que reduzem os sintomas da síndrome de abstinência da nicotina.
   Há pouco mais de três anos, para ajudar os pacientes e funcionários fumantes no combate ao vício, o Hospital Amaral Carvalho criou o grupo Amaral sem Cigarro. Inspirados no projeto do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município, integrantes do hospital buscaram opções para conscientizar os usuários do serviço sobre os malefícios do fumo. Credenciado pelo Ministério e com apoio da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES SP), o HAC tem autorização para desenvolver ações com tabagistas e fornecer medicamentos que os ajudem a parar de fumar.

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  • De acordo com o oncologista clínico Fábio Gomes Pereira, estima-se que, com o consumo do cigarro, são absorvidas mais de 4.700 substâncias tóxicas ao organismo

    De acordo com o oncologista clínico Fábio Gomes Pereira, estima-se que, com...

Autor: Ariane Urbanetto