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10/08/2018 - TMO recomenda vacina contra sarampo em receptores de TCTH

O Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Amaral Carvalho (HAC) faz um alerta para a necessidade da vacinação contra o sarampo em receptores de TCTH (Transplante de Células-tronco Hematopoéticas) após o segundo ano de transplante – ou antes, em casos específicos - e que não estejam fazendo uso de drogas imunossupressoras.
O sarampo é uma doença infecciosa, contagiosa, que se transmite de pessoa a pessoa, por meio de secreções respiratórias.
A vacina a ser utilizada é a tríplice viral (sarampo-caxumba-rubéola), que está disponível gratuitamente nos postos de saúde e Crie (Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais). Receptores de TCTH que nunca foram imunizados contra o sarampo após o transplante devem receber duas doses com intervalo de um mês, independentemente da idade. Pacientes já vacinados deverão tomar uma dose de reforço. Também pode ser utilizada na profilaxia pós-exposição, ou seja, em indivíduos não vacinados e que tiveram contato com caso suspeito ou confirmado de sarampo. Receptores de TMO poderão receber como profilaxia pós-exposição dentro das condições descritas no quadro abaixo.
Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo pela OMS, declarando a região das Américas livre da doença. Entretanto, a diminuição da cobertura vacinal no país e mesmo em várias outras nações desenvolvidas do mundo aumentou o número de indivíduos susceptíveis, favorecendo o reaparecimento de surtos.
A eliminação sustentada do sarampo requer cobertura vacinal de pelo menos uma dose em 90% das crianças em idade pré-escolar e de duas doses em 95% das crianças em idade escolar. Em 2017, a cobertura alcançou somente 83% do público-alvo (primeira dose) e 71% (segunda dose).
No momento, dois estados brasileiros (Amazonas e Roraima) apresentam níveis epidêmicos da doença. O aumento do número de casos na região norte do país está relacionado ao surto na Venezuela, cuja atual situação sociopolítica e econômica ocasiona um intenso movimento migratório, favorecendo a propagação do vírus.
Já foram registrados casos no Rio de janeiro, Rio Grande do Sul, Pará, São Paulo e Rondônia. Com exceção de dois casos (RS e SP), o genótipo circulante é o D8, idêntico ao vírus identificado na Venezuela, Roraima e Amazonas.

Sarampo em TMO
A primeira e maior série de casos de sarampo publicada em receptores de TCTH é do Brasil, e foi registrada durante o surto de 1997. Na ocasião, dada a limitação do uso de vacina atenuada nesses pacientes, foi feito um levantamento soroepidemiológico para identificar os indivíduos susceptíveis. O sarampo ocorreu em 8 dos 54 susceptíveis (taxa de ataque = 14,8%). Não foram observadas complicações neurológicas, mas um paciente desenvolveu pneumonite por sarampo requerendo hospitalização.
Durante surto de sarampo no Brasil, a antecipação da vacina após o primeiro ano do transplante mostrou-se segura e eficaz em receptores de TCTH sem uso de imunossupressores, podendo ser utilizada nessas situações.
Antes desse período (d0-d365), a proteção contra o sarampo nos receptores de TCTH se apoia na imunidade de rebanho (herd immunity), e, portanto, todos os contatos diretos do paciente e profissionais de saúde devem estar imunes ao sarampo.

Poliomielite
Os postos de saúde estarão vacinando também contra a poliomielite. A vacina inativada (VIP) será oferecida para crianças que nunca foram vacinadas, e a vacina atenuada (VOP, gotinha), para as que já receberam uma ou duas doses da VIP. Receptores de TCTH e seus contatos domiciliares devem receber somente a VIP.

 

Autor: Juliana Parra