8/8/2016 - Criança quer vencer o câncer para realizar sonho de ir à escola

   O maior sonho de Jonylson, 7, é frequentar a escola com os coleguinhas do bairro. Parece um desejo simples, não? Porém, enquanto não vencer o câncer, contra o qual batalha desde os dois anos de idade, o pequeno paraense deve continuar sua vidinha apenas entre sua casa e o hospital. “Eu gosto muito de estudar, principalmente o livro da Mônica”, fala com ingenuidade, referindo-se ao almanaque de colorir da personagem de Maurício de Sousa.
   Jonylson é paciente do Hospital Amaral Carvalho (HAC), o Hospital do Câncer do Brasil, localizado em Jaú, interior de São Paulo.
   Quando apresentou os primeiros sintomas da doença, que pareciam com os de uma gripe, foi levado a um centro médico de Santarém, sua cidade natal. “Meu filho entrou andando no hospital e saiu sem ao menos reconhecer a mãe dele, de tão debilitado”, conta o pai, Jomarnilson Santos de Oliveira, 28 anos, com os olhos cheios de lágrima.
   Em desespero, familiares e amigos reuniram economias para comprar passagens de avião e levar o menino a Manaus, no Estado do Amazonas, cerca de 2 mil quilômetros de distância, para exames mais específicos.
   Depois de muita investigação, o diagnóstico de Jonylson caiu como uma bomba. “Ele estava com leucemia!”, lembra o pai.

Fé e esperança
   A família não teve escolha. Mudou-se para Manaus para ficar mais próxima do centro onde o garoto iniciou o tratamento. E foram tantas as dificuldades, principalmente a financeira. Jomarnilson não tinha emprego fixo e Anaiara, 28, mãe do menino, não trabalhava fora de casa.
   Foram dois anos e meio de quimioterapia e muitas infecções enfrentadas pelo guerreiro Jonylson até ficar livre da doença. “Foi um alívio, mas logo em seguida teve a primeira recaída, e começou tudo de novo”, lamenta Jomarnilson.
   A família estava perdendo a fé, quando uma “luz” surgiu no fundo do poço. “Em Jaú estava nossa esperança de cura. Nem sabia que existia essa cidade, nem mesmo o Hospital Amaral Carvalho, para onde fomos encaminhados. Para nós, estava do outro lado do mundo”, afirma o pai, que está em Jaú acompanhando o garoto.
   A mãe permaneceu em Manaus cuidando da pequena Ananda, a nova irmãzinha de Jonylson.


Jonylson e seu pai, Jomarnilson

TMO
   Com a leucemia “zerada”, no jargão médico, Jonylson aguarda mais uma etapa do tratamento que pode livrá-lo de vez do câncer: o transplante de medula óssea.
   Correndo pra lá e pra cá no ambulatório de Transplante de Medula Óssea -TMO do Amaral Carvalho, o paciente nem sabe ao certo o que está acontecendo, mas está eufórico para o procedimento. Tudo o que ele quer é ir à escola!
   “Depois que eu sarar, vamos voltar pra casa e meu pai vai me colocar na escola”, fala com um largo sorriso no rosto.
   “Estamos passando tanta coisa nessa vida… essa história vai ficar como tatuagem, colada no corpo. Nunca mais vamos esquecer. Mas, o que nos consola é sabermos que não estamos sozinhos. Basta olhar para os lados e ver quanta gente aqui está no mesmo barco”, completa.
   Muitos pacientes do Estado do Pará, assim como do Amazonas, vêm para o HAC para o transplante de medula óssea. O Amaral Carvalho é referência no Brasil e o centro especializado que mais realiza o procedimento no País.
   Enquanto estão em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) os pacientes adultos ficam hospedados nas casas de apoio mantidas pelo hospital. As crianças e seus acompanhantes se hospedam na Casa Ronald, mantida pelo Instituto Ronald, onde têm leito, refeições balanceadas, transporte e apoio psicossocial.

Autor: Juliana Parra