26/2/2016 - Paciente do HAC tira a sorte grande: além de dois doadores de medula óssea, ganha também esposa dedicada

   O câncer deu tudo ao auxiliar jurídico Valdiclei Rocha da Silva, 35, inclusive uma dedicada esposa chamada Carol. Ele, que luta contra uma leucemia desde 2012, se recupera de um transplante de medula óssea realizado no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), a 2.620 quilômetros de distância de sua terra, Belém do Pará.
   Ao receber o diagnóstico da doença, o belenense iniciou o tratamento em sua cidade de origem, mas a esperança de cura estava mesmo no transplante de medula. O grande entrave seria encontrar um doador compatível, já que não havia na família. As chances de encontrar um doador de medula não aparentado são raras. Dos 3,8 milhões de voluntários cadastrados no País, somente 269 foram doadores efetivos em 2015, segundo o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).
   Silva, no entanto, tirou a sorte grande. Um ano após o diagnóstico, em 2013, encontrou um doador compatível e foi encaminhado a Jaú, no HAC, referência em Transplante de Medula Óssea (TMO) no Brasil, para o procedimento. O que ele não contava é que, na hora H, receberia a terrível notícia: o doador estava indisponível. “Me lembro que estava na sala de consulta do médico quando chegou a informação que o transplante não ocorreria. Questionei: Como assim? E o médico respondeu que isso acontecia com frequência e me aconselhou a não desanimar. Foi um baque”, lembra.
   A “maratona” recomeçava do zero. O dia a dia de Silva se transformou numa batalha. “Foi uma fase muito difícil. Fiz muita quimioterapia, fiquei bastante debilitado, chegando a emagrecer 40 quilos”, recorda.
   A maior surpresa de sua vida estava por vir. Em 2014, encontrou um novo doador compatível. “Foi como ganhar na loteria, mais que isso!”, avalia. O transplante foi realizado com sucesso, e Silva visita o hospital a cada 6 meses para acompanhamento.

Encontro virtual
   No início do tratamento, o belenense conheceu pela internet a Carol, por quem se apaixonou. E foi recíproco.
   Carol mergulhou profundamente nesse sentimento e se dedicou ao máximo ao companheiro, passando a acompanhá-lo em todas as fases do tratamento. “Quando viajei a Jaú para o transplante, em junho de 2015, ela tomou um avião em Belém, logo em seguida e por conta própria, para ficar comigo. Já estamos vivendo juntos e vamos oficializar a união ainda em 2016”, conta com alegria.
   Para Silva, a doença lhe trouxe só ganhos. “Me tornei um homem de fé depois do câncer. Não saio de casa sem um terço no bolso. Ganhei também experiência, conheci pessoas que foram importantes na minha vida, fui contemplado duas vezes com medula de doadores compatíveis, passei a dar mais valor ao que realmente tem valor e ainda conheci a Carol, minha futura esposa”.

Cadastro
   Tão importante quanto ser um doador voluntário de medula óssea é atualizar o cadastro no registro de doadores.
Segundo Douglas Vidmontiene, do Redome, 25% dos doadores compatíveis não são encontrados por não atualizarem seus dados e 15% desistem da doação no final do processo.
   Isso somado às mínimas chances de encontrar um doador de medula compatível com o receptor tira a esperança de vida de milhares de pacientes com câncer.  “Muitos colegas que esperavam por um transplante, assim como eu, já faleceram, infelizmente. E outros chegaram até a realizar o procedimento, mas não tiveram sucesso. Sou um cara de sorte!”, conclui.
   Silva deve estar de volta a Jaú em fevereiro de 2016 para novos exames. Quando está na cidade fica hospedado em uma das casas de apoio mantidas pela Fundação Amaral Carvalho. “Se não fosse a casa de apoio, não sei como seria. Lá tenho tudo: hospedagem, café, da manhã, almoço, lanche, jantar, além de companhias agradáveis e muito carinho. Sem contar as atividades oferecidas pelo Espaço Cultural Amaral Carvalho (Ecac) que nos ajudam a esquecer a doença por um período e a passar o tempo ocioso”.
   O Amaral Carvalho mantém casas de apoio em Jaú para receber pacientes que vêm de longe para o tratamento, e o Ecac oferece entretenimento, passeios, atividades educativas e culturais a todos os pacientes não internados que fazem tratamento no HAC. Tudo gratuito!

Outros belenenses
Assim como Silva, muitos outros belenenses são encaminhados ao HAC de Jaú para tratamento do câncer. Em 2015, foram realizados 83 atendimentos e mais de 1200 procedimentos a pacientes daquele estado.

Autor: Juliana Parra