11/11/2015 - Do Terceiro Tempo ao Terceiro Setor

   Desde que iniciou a carreira no rádio, em 1968, na pequena cidade de Muzambinho, no Sul de Minas Gerais, aos 17 anos, o jornalista esportivo Milton Neves Filho sempre foi acusado por seus desafetos de destacar os nomes de seus patrocinadores tanto quanto os seus comentários sobre futebol. Pioneiro no marketing esportivo no Brasil, Miltão, como é carinhosamente conhecido, é um craque em unir jornalismo e publicidade.
   Nos quase 50 anos de profissão, Miltão construiu uma sólida carreira de comentarista e de apresentador de televisão. Seu renomado programa Terceiro Tempo, transmitido em horário nobre pela Rede Bandeirantes de TV aos domingos, mantém um público fiel de aficcionados do esporte. Seu site sobre jogadores de futebol da atualidade, e do passado, tem milhares de visitantes/dia. Também faz sucesso no rádio, no papel de palpiteiro dos resultados dos jogos que ocorrerão na semana. Outro craque multimídia, o jornalista Ricardo Boechat, o chama de pitoniza, em referência ao oráculo grego que previa o amanhã, o desconhecido.

O lado oculto de Miltão
   O que muitos de seus telespectadores, ouvintes e leitores não sabem é que Milton Neves, o Miltão, também é ativo colaborador de entidades sociais, que compõem o chamado Terceiro Setor. Discretamente, ele contribui com organizações não governamentais, entre as quais, a Associação dos Voluntários Muzambinhenses no Combate ao Câncer (AVMCC), que mantém duas casas de apoio disponíveis aos pacientes oncológicos e seus familiares, graciosamente. Uma na própria Muzambinho e outra em Jaú, no Estado de São Paulo, sede do centenário Hospital Amaral Carvalho, referência nacional em câncer e transplante de medula óssea (TMO), localizado a 320 km de distância.
   “Todo mundo aqui em Muzambinho sabe que ele apoia inúmeros outros projetos sociais. O Milton contribui com outras instituições da cidade e, inclusive, é solidário com muitas pessoas diretamente. Mas ele não gosta de ficar se vangloriando”, afirma a decoradora Maysa Aparecida Carnevali, que, desde 2007, trabalha todas as terças-feiras como atendente voluntária na AVMCC, entidade criada há 13 anos para oferecer apoio aos muzambinhenses diagnosticados com câncer.
   Com jeito mineiro de falar, calmo e atencioso, Maysa explica que na casa de apoio em Muzambinho, a Associação cadastra os pacientes em tratamento no Hospital Amaral Carvalho, e os encaminham para a casa de apoio em Jaú. Desde a sua fundação, a Associação já cadastrou cerca de 340 pacientes e realizou mais de dois mil encaminhamentos ao Hospital Amaral Carvalho. Maysa informa que 40 voluntários da Associação trabalham diuturnamente para atender às demandas dos pacientes .

O gol de placa do Miltão
   A ideia de criar uma associação para apoiar os muzambinhenses no combate ao câncer surgiu de uma antiga paciente do Hospital Amaral Carvalho, Anadeia Rondinelli. A primeira presidente da entidade, atual vereadora de Muzambinho, Silene Sílvia Cerávolo Campedelli, lembra que Miltão arca com os aluguéis das casas de apoio desde a fundação da AVMCC, há 13 anos.
   “O Milton Neves tem um coração enorme. Ele é um grande amigo da gente. Esse apoio que ele dá para a Associação e para tanta gente é o grande gol de placa da vida dele. No ano passado, durante a homenagem que a cidade de Muzambinho fez para o Milton, eu li uma poesia que enaltecia esse grande coração-solidário que o Milton tem. E ele chorou de emoção. O Milton é muito emotivo. Desde a fundação da Associação, ele sempre colaborou conosco. Hoje estou afastada da administração da Associação por causa do cargo de vereadora, mas continuo voluntária pra toda a vida”, afirmou Silene Campedelli.
   Atualmente, a AVMCC está desenvolvendo um projeto ousado: a construção de uma casa de apoio própria em Jaú, com capacidade para receber 25 pessoas ao mesmo tempo. Mais uma vez, Miltão está presente nesta empreitada da Associação, com doação de colchões, aparelhos de ar condicionado, aparelhos de TV, materiais de construção e todo o piso da futura casa de apoio.

Carnaval ou futebol?
   Encravada no Planalto de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, Muzambinho é uma cidade histórica, de 1880. Seu nome deriva dos mucambos, antigas habitações dos escravos. Por mais de um século, fez fama com o café e o doce de leite. Há menos de uma década, tornou-se a capital do carnaval universitário, atraindo milhares de foliões.
   Durante quatro dias de festança, a população de 20 mil habitantes do município dobra de tamanho. Estrelas do showbiz como Cláudia Leite, Bruno e Barreto, já estão garantidos para o carnaval de 2016 e a fan page no Facebook do Bloco Verme e Cia, organizadora do evento, já conta com mais de 73 mil curtidas.
   Se para os muzambinhenses o carnaval assumiu caráter de relevância importância, inclusive econômica para a região, Milton Neves continua firme em sua profissão de fé. “O futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes”, costuma repetir em seus programas de rádio e televisão. O que ele não gosta de falar é sobre o seu trabalho em favor da coisa mais importante dentre as mais importantes: a vida humana.


           FOTO: Divulgação internet

Discretamente, Miltão contribui com organizações não governamentais, entre as quais,
a Associação dos Voluntários Muzambinhenses no Combate ao Câncer (AVMCC),
que mantém duas casas de apoio disponíveis aos pacientes em tratamento de câncer

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  • Hospital Amaral Carvalho

    Hospital Amaral Carvalho

  • Casa de Apoio de Muzambinho, em Jaú

    Casa de Apoio de Muzambinho, em Jaú

  • Distância entre o município de Muzambinho (MG) e o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP)

    Distância entre o município de Muzambinho (MG) e o Hospital Amaral Carvalho...

Autor: Ação Comunicativa