28/6/2015 - Casas de apoio seguram o índice zero de abandono ao tratamento

 A contabilidade anual aponta que a produção atinge as 80 mil diárias. Com cinco refeições/dia no final de cada ano são 350 mil refeições/ano. Os números impressionam e servem como desafio para a administração do Hospital Amaral Carvalho (HAC) que vive com receita do Sistema Único de Saúde (SUS). “O trabalho paralelo de doações, eventos beneficentes ajudam muito a manter as casas de apoio. São elas que seguram o índice zero de abandono ao tratamento.”

Os pacientes em tratamento ambulatorial de cidades mais distantes de Jaú são acolhidos na Casa de Apoio. “Eles permanecem na Casa pelo tempo de tratamento. Recebem cinco refeições diárias, banho e pernoitam no local. Sem esse serviço, muitos pacientes abandonariam o tratamento. A média estadual de abandono chega a 16%, o nosso é zero. Não se faz combate ao câncer sem o apoio social”, frisa o superintendente do HAC, Antônio Luis Cesarino de Moraes Navarro.

Ele ressalta que o paciente do SUS dificilmente teriam como arcar com a despesa de estada na cidade de Jaú. “A diária de uma pensão na cidade com três refeições não vai gastar menos de R$ 60. Se ele permanecer por 15 dias para fazer o ciclo de quimioterapia, vai gastar um salário mínimo, pelo menos. Muitas vezes o paciente precisa de acompanhante e fica praticamente impossível para ele manter o tratamento.”

Longo prazo
Navarro enfatiza  que o tratamento do câncer é a longo prazo. “São cinco anos de acompanhamento, além do tratamento. O câncer é uma doença muito cara. Envolve medicamentos  quimioterápicos de última geração, radioterapias com equipamentos sofisticados, cirurgias e tempo em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).”

Grande parte da população do Brasil não pode arcar com todas as despesas. Para essa parcela da população a saída é o apoio social. “O custo particular, depende muito do tipo de câncer, mas um tratamento básico não custa menos de R$ 200 mil. Essa é a média.”

O Sistema Único de Saúde (SUS) faz os repasses, uma vez que os atendidos são 95% de pessoas que não podem pagar. “O SUS tem uma tabela defasada há muitos anos. O governo do Estado  tem ajudado com recursos extras de forma a complementar a tabela.  Por outro lado e ai sim é fundamental, não há como dissociar o tratamento do câncer do apoio social. Não tem fonte de financiamento. Então a Fundação banca isso, através de campanhas de arrecadação, leilões beneficentes, telemarketing e outras ações.”

A Casa de Apoio Ignês de Carvalho Montenegro hospeda pacientes de radioterapia e quimioterapia de cidades a mais de 50 quilômetros de Jaú. Os pacientes que irão passar  por transplante de medula óssea podem ficar na casa TMO - durante o período de pré-transplante. Após o transplante o paciente precisa ficar isolado para a efetividade do processo, então é encaminhado para a casa TMO II.

No Centro de Apoio ao Paciente (CAP), o Hospital do Câncer de Jaú oferece serviços de apoio aos pacientes enquanto aguardam consultas ou resultados de exames. Lá, ficam à disposição poltronas para descanso, jornais, televisão a cabo e jogos como pebolim e sinuca. Além dos pacientes, o local acolhe os motoristas de ambulâncias e micro-ônibus, que transportam os doentes para o tratamento.


Espaço cultural

O Espaço Cultural Amaral Carvalho (Ecac) foi criado em 2003 e promove atividade culturais, esportivas e de lazer aos pacientes, seus acompanhantes e funcionários. A unidade conta com o apoio de colaboradores voluntários e das Ligas de Combate ao Câncer.

O espaço realiza cursos e oficinas para auxiliar no desenvolvimento de ofícios que, muitas vezes possibilitam geração de renda às famílias. Conta com um acervo fotográfico de mais de cinco mil fotos e DVDs, computadores para acesso à Internet e videoconferências, uma biblioteca com mais de três mil livros.

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Fonte: Jornal da Cidade de Bauru

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